Francisco Dias Araújo
Francisco Dias de Araujo, Francisquinho, nasceu no dia 16 de junho de 1924, Filho de João Dias Novo e Dona Filomena de Araujo. Estudou Música com o Mestre Ulysses Lima, posteriormente com Sebas Mariano , na antiga Banda Filarmônica 6 de Junho. Aos 17 anos já era músico, quando casa-se com Florisa de Siqueira Campos, de quinze anos, para quem compôs sua primeira valsa, “Isa”, única composição musical de sua autoria, a qual ele próprio escreveu a letra. Florisa, uma artista plástica, autora de inúmeras telas, mãe e esposa dedicada , tiveram juntos quatro filhos: Hugo Araujo, (médico e Cantor),Aristóteles de Siqueira Campos Araujo (Médico e Músico) Mozart Siqueira Campos Araujo (Engenheiro elétrico, Professor Universitário, ex-presidente da CHESF , ex- Secretário da Fazenda da Pernambuco e músico baterista )e Jairo Araujo (Advogado, poeta, cantor, músico violonista e compositor, já falecido).
Concluindo os estudos no Ginásio Olavo Bilac, Francisquinho dedicou-se ao Comércio, estabelecendo –se com uma Mercearia,em frente a sua residência, à antiga Travessa Vidal de Negreiros, atual Travessa Siqueira Campos, também conhecida como “Ladeira de Francisquinho”. Em Sua bodega, além dos filhos que sempre lhe ajudaram passaram como funcionários, Antônio Pedro, Anacleto Carvalho, Navalha, Fernando Ramos, Genilson Leandro,entre outros.
No inicio dos anos 1940 Francisquinho associa-se aos seus irmãos Demétrio Dias Araujo e José Dias Araujo (Ziro) e formavam a Orquestra Sertânia Jazz, que apesar de relativo sucesso não foi a frente. Demétrio partiu para o Recife onde tocou na Orquestra da Rádio Tamandaré e Francisquinho foi para João Pessoa , capital da Paraíba, onde teve contato com o seu primo Severino Araujo e a Orquestra Tabajara. De volta a Sertânia no final da década de 1940, ambos resolvem formar nova Orquestra, com base nas experiências que tiveram lá fora, optando por um nome indígena : Marajoara. Juntando –se a Ziro, um saxofonista conhecido pelo sopro doce, o trompetista Demétrio e o Maestro Francisquinho, este último começa a escrever uma nova história de sua vida, a da sua verdadeira vocação e grande paixão que era a música. Com a Orquestra Marajoara, que fez sucesso por todo o Nordeste, Francisquinho adquire notoriedade como Regente, já que orquestrava à sua maneira distinta e original. Desta época revelou nomes como os compositores e músicos Reginaldo Siqueira e Anacleto Carvalho, os cantores Hugo Araujo e Charuto, o guitarrista João Brasiliano, os cantores Hamilton Rodrigues, José Cláudio, Luiz Wilson, entre tantos outros, que puderam apresentarem-se ao lado de estrelas como Claudionor Germano (que também era produtor da Orquestra Marajoara), Expedito Baracho e outros que despontavam como Flávio José.
Este destaque abriu as portas para o trabalho autoral de Francisquinho como compositor. Autor de mais de duzentas músicas, sua especialidade foi o frevo-de-rua, que é instrumental. Verdadeiros clássicos do gênero como “Batalha de Confete”, incluída no CD “OS 20 melhores frevos-de rua do Século”, do grande Maestro Duda, ou “Regressando”, “Metralhando” e ainda “Toureiros no frevo” , entre outros foram gravadas pelas melhores orquestras da época, como as de Severino Araujo, Osvaldo Borba, Nélson Ferreira, Zacarias, Jonas Cordeiro, só para citar estes. São incontáveis as composições de Francisquinho neste gênero e há inda peças inéditas. Um detalhe curioso é que para cada um dos seus filhos ele compôs e entitulou um frevo-de rua: “Hugo no Frevo”, “Mozart no Frevo”, “Tota no Frevo” e “Jairo na Folia”.
Demonstrando ser um compositor múltiplo, que passeia por vários ritmos, dividiu com Waldemar Cordeiro uma parceria (semelhante a de Toquinho com Vinicius de Morais), como provam o samba matuto “Aquarela do Sertão”, os boleros “Garota santopê” e “Pobre Trovador”, o tango “Basfont”, os baiões “Juramento” e “São João” e os frevos –canções “Lá vem a onda”, “Carnaval de Pernambuco”, e os Hinos do “Agá” e “Taí”, afora outras composições ainda inéditas. Outros parceiros esparsos foram João Ismar, com o frevo –canção “Recife dos Meus amores” e a poetisa Liu Pinheiro, com o bolero “Sertânia”.
Nos anos 1970 e 1980 é eleito vereador por vários mandatos e Presidente da Câmara Municipal de Sertânia. Neste período, em 1974 decide voltar a regência musical ,atividade que havia deixado de lado quando desligou-se da Orquestra Marajoara, em 1969. Aceita convite do Padre Cristiano Jacobs e passa a ser Professor de música no CEOB- Colégio Estadual Olavo Bilac, sendo também regente da Banda Marcial daquela escola. Momento em que vai colaborar para o surgimento de novos talentos como Jairo Araujo , seu filho, Walmar, Cristina Amaral, Antônio Amaral, Deodato, Jacildo (Andrade de Sertânia), Gripa, Apriginho, Lailton Araujo, Adilson Medeiros, Gabriel, Gyba, Ripe e muitos outros, através da “Bandinha do CEOB”, mais tarde chamada “Orquestra Marajoara” (2ª fase), também criação e incentivo do padre holandês. Participou de momentos memoráveis nesta escola, entre os quais a apresentação em um Programa da TV Universitária.
Além das gravações de seus frevos –de rua pelas Orquestras mencionadas em LP”s e compactos de vinil, vamos encontrar como registro de gravação da obra de Francisquinho em mídia digital o CD “Músicas de Francisquinho”, com seus frevos-de-rua, num trabalho da Orquestra do CEMCAPE- Centro de Música Carnavalesca de Pernambuco. Há também o CD “Aquarela do Sertão” (No centenário do Poeta Waldemar Cordeiro), que reúne parcerias de “Dema do Moxotó” com o Maestro Francisquinho.Vale salientar ainda o CD “Carnaval de Sertânia”, coletânea organizada pela AFASER- Associação dos Filhos e Amigos de Sertânia, que incluiu Três composições de Francisquinho: “Batalha de confetes, Hino do Agá e Hino do Taí. Convém mencionar ainda a gravação da faixa Hugo no Frevo no CD da Orquestra Tabajara de Severino Araujo e o clássico “Batalha de confetes, no CD “os 20 melhores frevos-de rua do Século”, da Orquestra do Maestro Duda.
Francisquinho faleceu em 27 de julho de 1990,na cidade Sertânia, aos 66 anos de idade. Em vida recebeu uma única homenagem, a da Semana Estudantil de Artes de Sertânia, organizada pelos estudantes locais, em 1988. No mais, após a sua morte, a Escola Olavo Bilac, onde o mesmo foi professor, batizou a banda marcial por ele regida, com o seu nome: “Banda Marcial Maestro Francisquinho”. Logo depois a Câmara de Vereadores denominou o bairro conhecido como Nova Mário Melo, de “Bairro Francisco Dias Araujo”
Por Josessandro Batista de Andrade
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